Protocolo Clínico de seguimento médico em síndrome de Down*
> Prof. Dr. Zan Mustacchi
> Genética Médica - Pediatria
>
>
> Todas as crianças necessitam realizar visitas periódicas ao médico pediatra
> a fim de que seu desenvolvimento e estado geral de saúde possam ser
> monitorados. Pelas mesmas razões e com mais motivos, a criança com síndrome
> de Down (SD) não deve ser privada deste tipo de atendimento.
>
> A suspeita clínica da SD pode ser feita, por um médico experiente, logo após
> o nascimento, pelos sinais característicos na criança.
>
> A consulta com o médico geneticista confirma a suspeita clínica, esclarece e
> orienta os pais sobre a síndrome, porém faz-se necessário a realização do
> cariótipo. Este exame pode ser feito a qualquer momento durante o primeiro
> ano de vida, pois sua importância está especialmente ligada ao
> aconselhamento do casal quanto ao risco de recorrência e praticamente nada
> vem a acrescentar para a criança, além de confirmar o diagnóstico, exceto em
> raríssimos casos (0,2%) de mosaicismo de baixíssima freqüência celular
> (menos do que 10% das células apresentando trissomia do cromossomo 21).
>
> Passaremos a descrever alguns procedimentos que devem ser realizados com a
> finalidade de detectar ou prevenir, quando possível, condições que podem
> comprometer a qualidade de vida desses pacientes:
>
> Ao nascimento na suspeita clínica
>
> • Avaliação cardiológica com:
>
> - Eletrocardiograma ECG;
>
> - Raio-X de tórax com todos os arcos costais, frente e perfil;
>
> - Ecodopplercardiografia bidimensional colorida.
>
> Defeitos cardíacos congênitos constituem, dentre as malformações, as mais
> freqüentes na SD. Logo ao nascer, é imprescindível que se realize o
> ecodopplercardiograma independentemente de haver ou não suspeita de
> cardiopatia pelo exame clínico, pois em 50% dos casos que apresentam
> cardiopatias congênitas o exame clínico nada detecta. Problemas cardíacos
> têm sido identificados na vida adulta, podendo ocorrer mesmo em pessoas que
> foram operadas em idades precoces, na forma de um regurgitamento aórtico e
> insuficiência mitral, seqüela mais freqüente nesses pacientes e que pode
> trazer perda na qualidade de vida (Ferrer, Escobar e col). O raio-x de tórax
> deve apresentar 12 pares de arcos costais e há um a possibilidade, que
> ocorre entre 50 a 60% dos casos, de redução do 12o arco ou ausência deste,
> que deverá ser considerado na avaliação da dinâmica ventilatória e
> obviamente na evolução dos processos respiratórios que freqüentemente
> acometem estes indivíduos.
>
> • Avaliação oftalmológica com:
>
> - Fundo de olho;
>
> - Afastar catarata e glaucoma.
>
> É absolutamente recomendável um exame de rotina, logo após o nascimento,
> visando diagnosticar a presença de cataratas congênitas que devem ser
> removidas cirurgicamente o mais rápido possível e/ou outros problemas como a
> obstrução dos canais lacrimais. Obs: Evitar colírio de derivado atropínico.
>
> • Avaliação otorrinolaringológica e audiológica com:
>
> - Otoscopia (para avaliação do conduto auditivo);
>
> - OEA (Otoemissões acústicas);
>
> - BERA (Audiometria de tronco cerebral);
>
> - Imitanciometria (timpanometria ou impedanciometria).
>
> É necessário realizar, logo ao nascimento, cuidadosa avaliação auditiva
> (BERA - audiometria de tronco cerebral, além de OEA - Otoemissões
> Acústicas), devido a possíveis anomalias e disfunções que podem comprometer
> o ouvido médio e o interno. A necessidade de monitoramento da audição é
> defendida como sendo um dos principais fatores de garantia de uma linguagem
> mais funcional e discute-se a possibilidade de que o uso de hormônios para o
> crescimento possa ampliar a estrutura do ouvido garantindo um melhor
> escoamento e maturação dessa estrutura.
>
> O item da apnéia obstrutiva de sono é apresentado como sendo uma das
> patologias presentes na SD e é defendida a necessidade de avaliação
> continuada das interrupções do sono e da oxigenação cerebral durante as
> crises em crianças de 3 a 4 anos para tentar diminuir as possíveis
> conseqüências dessa patologia para o desenvolvimento cognitivo, desempenho
> escolar, taxa de crescimento e alterações comportamentais como
> hiperatividade ou desatenção.
>
> • Coleta do teste do pezinho.
>
> • Ultrassom de abdômen global.
>
> • Ultrassom de articulação coxofemural.
>
> • Ultrassom de sistema nervoso central (encéfalo).
>
> • Eventuais avaliações com especialistas.
>
> • Rotina normal de recém-nascido.
>
> Durante o primeiro ano
>
> • Encaminhamento para um Programa de Intervenção Precoce, atualmente
> definido como Estimulação Essencial.
>
> • Colher cariótipo.
>
> • Investigar órgãos neurosensoriais.
>
> • Avaliar perfil metabólico:
>
> - Tireoidiano (TSH, T4 livre)
>
> - Glicídico (carbohidrato, glicemia de jejum, hemoglobina glicosada,
> colesterol LDL, HDL, VLDL e triglicérides).
>
> - Renal (uréia, creatinina, Na, K, urina I e urocultura com contagem de
> colônias e antibiograma).
>
> Problemas da tireóide são comuns na SD (16 a 22%), sendo mais freqüente o
> hipotireoidismo congênito que deve ser detectado logo, para que possa ser
> tratado precocemente.
>
> • Fazer ultrassom de vesícula biliar.
>
> • Reavaliação audiológica e oftalmológica.
>
> • Imunização com complemento (veja imunização no site:
> www.sindromededown.com.br )
>
> O bebê com SD tem um calendário de vacinação mais abrangente que visa
> prevenir o mais amplo contexto infecto-contagioso estimulando o seu sistema
> imunológico às defesas.
>
> • Rever avaliações com cardiologista, ortopedista, endocrinologista,
> neurologista, entre outros, caso necessário.
>
> • Investigar refluxo gastroesofágico com Doppler colorido, EED e/ou
> Ph-metria.
>
> • Fazer hemograma completo.
>
> • Colher cálcio, fósforo e fosfatase alcalina.
>
> • Complemento vitamínico e mineral de rotina pediátrica.
>
> • Procurar inserir-se em um grupo de pais de crianças com síndrome de Down
> para apoio familiar.
>
> A partir do primeiro ano:
>
> • Rotina pediátrica regular.
>
> • Avaliação odontopediatrica com revisões anuais.
>
> • Avaliações oftalmológicas e audiológicas anuais até os 5 anos.
>
> • Avaliação ortopédica na deambulação com atenção ao pé plano e
> instabilidade rótulo-femural.
>
> • Raio-X de dinâmica cervical da articulação atlanto axial quando da
> capacidade de ficar em pé com apoio.
>
> • Repetir o Raio-X de C1/C2 de dinâmica cervical aos 4 e aos 10 anos ou
> quando necessário.
>
> • Acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor, além do crescimento de
> estatura, perímetro cefálico (PC) e peso, usando como parâmetros de
> normalidade curvas e gráficos específicos para esta população brasileira
> (ver curvas padrão da população brasileira com síndrome de Down, tese de
> doutorado do Dr. Zan Mustacchi no site: www.sindromededown.com.br ).
>
> • Apoio psicopedagógico e educacional (berçário, creche, pré-escola e
> escola).
>
> • Avaliação gastrointestinal para verificar possíveis malformações como:
> atresia duodenal (estreitamento do duodeno), distúrbios do aparelho
> digestivo, ânus imperfurado e outras, que são feitas rotineiramente em
> qualquer serviço imediatamente após o nascimento. Devendo ser realizado
> ultrassom de abdômen para, além de excluir cálculos de vesícula biliar (que
> ocorrem em aproximadamente 8% dos casos), afastar também anomalias
> nefro-urológicas, além de descartar síndromes desarbsortivas (situações
> metabólicas, principalmente digestivas que acarretam má absorção específica
> e consequente desnutrição), com pesquisa de anticorpo antigliadina e
> antiendomísio, além de outras provas digestivas e atenção à maior
> possibilidade de megacólon congênito.
>
> • Perfil metabólico gonadal no início da puberdade.
>
> • Apoio de profissional da saúde mental.
>
> • Densitometria óssea a partir do fim da puberdade.
>
> • Papa-nicolau e mamografia na jovem.
>
> • PSA (exame prostático) e perfil prostático considerando-se o baixo risco
> de neoplasias sólidas em virtude de ter sido caracterizada uma elevação da
> endostatina (protetora de neoplasias) em indivíduos com síndrome de Down.
>
> • Atenção à saúde mental dos distúrbios vinculados ao aumento do risco de
> demência do tipo Alzheimer prematuro em síndrome de Down.
>
> Vários trabalhos da área da neurobiologia exploram as possibilidades de
> estudo da SD a partir de um modelo animal: o camundongo denominado Ts65DN
> trissômico no segmento 16 que contém genes homólogos aos da trissomia do 21
> em humanos. Outro tipo de camundongo também tem sido explorado como um
> modelo mais adequado para investigação, o TgDyk1a, que apresenta aquisições
> motoras alteradas e comportamentos de hiperatividade. A principal vertente
> desses trabalhos é o tema do envelhecimento e o surgimento da patologia de
> Alzheimer demonstrando que nesses animais há amplas alterações no tamanho e
> forma de elementos pré e pós sinápticos nos padrões de inervação dos inputs
> GABAérgicos. Também tem sido exploradas as possíveis causas das degenerações
> dos neurônios colinérgicos mostrando que isso é devido à falha no transporte
> retrógrado do fator neurotrófico NGF, possivelmente vinculado a um gene
> específico que precisa ser localizado em trabalhos futuros para permitir
> tratamento clínico preventivo do envelhecimento associado às patologias.
> Sintomas como placas senis e neurofibrilas já estão presentes desde os 10
> anos, com manifestação importantes entre os 30 e 50 anos, mas com rápido
> agravamento do quadro em apenas um ano no caso de pessoas com SD, contra
> três anos em pessoas sem síndrome de Down, após suas primeiras
> manifestações. Como estratégias compensatórias para o envelhecimento
> propõem-se a organização de ambientes enriquecidos que aumentam o
> crescimento de terminações nervosas e estimulam a sobrevivência de
> neurônios. Como prosposta de terapêutica coadjuvante à estimulação ambiental
> tem sido proposto o uso do medicamento Donepezil que demonstrou ser eficaz
> no retardo do surgimento de disfunções cognitivas em alguns pacientes, mas
> esses resultados segundo o DSMIG (Down Syndrome Medical Interest Group)
> precisam ser mais bem investigados.
>
> Como é reconhecida a maior sensibilidade das células trissômicas ao estresse
> que pode ser causado por um desequilíbrio no metabolismo do peróxido de
> hidrogênio, se discute o uso de terapias antioxidantes, como o uso da
> vitamina E como forma preventiva de Alzheimer. Na última reunião do DSMIG
> desmistificou-se a idéia de que medicamentos atualmente usados em pacientes
> com Alzheimer podem beneficiar pessoas com SD nos primeiros anos de vida.
> Atualmente privilegia-se os dados vindos de modelos animais sobre
> envelhecimento neuronal, sensorial e do uso preventivo de medicamentos para
> essas alterações que podem diminuir a qualidade de vida de pessoas com
> síndrome de Down.
>
> • Programa de apoio à autonomia social projetando uma vida no modelo de
> residência assistida.
>
BEM VINDO...TUDO FOI FEITO COM AMOR PARA VC!!!
Bem vindo, esperamos que vc goste e aceitamos sua sugestão , aguardamos seu comentário, fique à vontade , esse espaço tbm é seu
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
hora da noticia
A Hora da noticia para profissionais - Ana Nahas
"Menino ou menina?" É a primeira pergunta que fazem os pais ao nascimento de uma criança. Mas isso não importa desde que o filho tão esperado seja uma criança perfeita e sadia. Depois vem a pergunta: "Meu filho é normal, doutor?
As respostas são fáceis quando tudo está bem, mas logo se notam as reticências quando há algum problema.
Em 1982, quando nasceu meu primeiro filho e logo levantei a hipótese dele ter síndrome de Down, notei que as reticências da pergunta "Meu filho é normal?" incomodavam mais ao pessoal médico que me atendia do que a mim mesma. A partir daí, ouvindo e lendo depoimentos de outros pais, comecei a me interessar pelo assunto "O momento da noticia" .
Este momento pode ser tão traumatizante para os pais, que não estão preparados para enfrentar a realidade de que o filho tão esperado não é a criança que sonhavam, como para o pessoal médico e de enfermagem, que não está preparado para ajudar estes pais a enfrentar esta realidade.
A família representa um papel de extrema importância no desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down, quanto mais informada a família, mais a criança terá suas potencialidades aproveitadas. Se não se sabe comunicar a notícia com palavras corretas, e no momento propício, preparando pai e mãe para recebê-la sem aflição, começará uma grande tempestade que poderá alterar profundamente o futuro desta família, podendo influenciar, até, na aceitação ou rejeição desta criança. Na maioria das vezes, não se tem o menor cuidado, porque obstetras, pediatras e enfermeiros que acompanham o nascimento não se apercebem o trauma que podem causar.
Uma das coisas que senti necessidade como mãe, no momento da notícia foi de um diálogo franco, sem evasivas, com respostas simples, bom senso e respeito. O que vi,li e ouvi de outras mães é que o pessoal da área médica estava mais preocupado em passar um verdadeiro tratado médico sobre a deficiência de nossos filhos, enquanto o pessoal de enfermagem ficava ausente ou à distância, como se nada de diferente estivesse acontecendo. E todos se esqueciam que, antes de tudo, ali estava um casal, pais de um recém-nascido, que tem as mesmas necessidades básicas de outra criança qualquer.
Estou correndo o risco de cair numa perigosa generalização, pois existem muitos profissionais que sabem como se portar e enfrentar junto com a família este momento tão delicado e decisivo. O que acontece, porém, é quase sempre o contrário. Infelizmente, é difícil estabelecer um procedimento padronizado para ajudar pais a receber a notícia e ajudar o pessoal médico e de enfermagem a transmiti-la.
Quem deve dar a notícia aos pais? O pediatra, o obstetra, o enfermeiro?
Quem deve dar a notícia aos pais é a pessoa mais confiante, mais preparada para este momento. Para isso, primeiramente, esta pessoa deverá rever seus sentimentos diante da deficiência. Esta auto-análise requer paciência, força de vontade e muita honestidade. Depois que fizer dentro de si um conceito positivo da deficiência, deixando de lado preconceitos, estará apto a ajudar estes pais neste momento tão importante.
Os estereótipos mais comuns são que as pessoas com síndrome de Down são dóceis, sem vontade própria, eternas crianças, com tendências anti-sociais ou extremamente sociáveis, incapazes, doentes e objeto de piedade. Estes sentimentos não ajudarão no momento da notícia nem no relacionamento de confiança que deve se estabelecer entre os pais e os profissionais.
Como mãe de um rapaz com síndrome de Down e como enfermeira eu poderia citar pontos importantes de como ajudar os pais neste momento:
- Informe os pais tão cedo quanto possível após o nascimento da criança, respeitando a debilidade ou possíveis problemas que possam afetar a mãe. Informando pai e mãe juntos, o casal poderá dar apoio um ao outro, e o que um não entender o outro entenderá.
- Sempre que possível, a criança deverá estar presente. Brincando com ela, segurando-a em seus braços e mostrando afeto estará criando um relacionamento positivo, mostrando aceitação e dando um bom exemplo aos pais.
- Não espere até o momento da alta para falar com os pais, nem obrigue o pai a dar a notícia à mãe, ou vice-versa.
- Dê informações precisas e compreensíveis, usando palavras simples, esquecendo termos médicos. Se possível, leve algum material escrito, para que os pais possam reler as informações num momento de maior calma. Esteja disponível para que eles possam fazer perguntas.
- Transmita otimismo, sem sair da realidade. Não seja otimista demais, nem pessimista ao extremo.
- Enfatize as características comuns da criança, e não as diferenças.
- Respeite os sentimentos individuais do casal. Deixe que eles expressem a sua dor, suas dúvidas. Mostre que os primeiros sentimentos de desespero e rejeição à criança são normais, mas que o amor deve prevalecer.
- Em alojamento conjunto, jamais isolar mãe e filho, ou separá-los.
- Orientar os pais, avós, tios ou qualquer outra pessoa que esteja envolvida nos cuidados básicos da criança; auxiliando na hora da mamada, enfatizando a importância do aleitamento materno, diminuindo o tempo da criança no seio e aumentando o número de mamadas. Mostre a importância do carinho e aconchego na hora da alimentação. O colo da mãe é o melhor estímulo para um recém-nascido com ou sem síndrome de Down.
= Orientar e estimular os pais a procurar ajuda profissional, para começar o mais cedo possível, a estimulação essencial, fazendo encaminhamentos.
Para finalizar, gostaria de colocar uma pequena lista do que os pais esperam e do que os pais não precisam de um profissional no momento da notícia:
O que precisamos:
Respeito; Orientação; Esperança; Informações precisas; Otimismo; Compreensão; Apoio
O que não precisamos:
Pena; Desengano; Desesperança; Pessimismo; Isolamento; Palavras vazias; Perguntas sem respostas
"Menino ou menina?" É a primeira pergunta que fazem os pais ao nascimento de uma criança. Mas isso não importa desde que o filho tão esperado seja uma criança perfeita e sadia. Depois vem a pergunta: "Meu filho é normal, doutor?
As respostas são fáceis quando tudo está bem, mas logo se notam as reticências quando há algum problema.
Em 1982, quando nasceu meu primeiro filho e logo levantei a hipótese dele ter síndrome de Down, notei que as reticências da pergunta "Meu filho é normal?" incomodavam mais ao pessoal médico que me atendia do que a mim mesma. A partir daí, ouvindo e lendo depoimentos de outros pais, comecei a me interessar pelo assunto "O momento da noticia" .
Este momento pode ser tão traumatizante para os pais, que não estão preparados para enfrentar a realidade de que o filho tão esperado não é a criança que sonhavam, como para o pessoal médico e de enfermagem, que não está preparado para ajudar estes pais a enfrentar esta realidade.
A família representa um papel de extrema importância no desenvolvimento das pessoas com síndrome de Down, quanto mais informada a família, mais a criança terá suas potencialidades aproveitadas. Se não se sabe comunicar a notícia com palavras corretas, e no momento propício, preparando pai e mãe para recebê-la sem aflição, começará uma grande tempestade que poderá alterar profundamente o futuro desta família, podendo influenciar, até, na aceitação ou rejeição desta criança. Na maioria das vezes, não se tem o menor cuidado, porque obstetras, pediatras e enfermeiros que acompanham o nascimento não se apercebem o trauma que podem causar.
Uma das coisas que senti necessidade como mãe, no momento da notícia foi de um diálogo franco, sem evasivas, com respostas simples, bom senso e respeito. O que vi,li e ouvi de outras mães é que o pessoal da área médica estava mais preocupado em passar um verdadeiro tratado médico sobre a deficiência de nossos filhos, enquanto o pessoal de enfermagem ficava ausente ou à distância, como se nada de diferente estivesse acontecendo. E todos se esqueciam que, antes de tudo, ali estava um casal, pais de um recém-nascido, que tem as mesmas necessidades básicas de outra criança qualquer.
Estou correndo o risco de cair numa perigosa generalização, pois existem muitos profissionais que sabem como se portar e enfrentar junto com a família este momento tão delicado e decisivo. O que acontece, porém, é quase sempre o contrário. Infelizmente, é difícil estabelecer um procedimento padronizado para ajudar pais a receber a notícia e ajudar o pessoal médico e de enfermagem a transmiti-la.
Quem deve dar a notícia aos pais? O pediatra, o obstetra, o enfermeiro?
Quem deve dar a notícia aos pais é a pessoa mais confiante, mais preparada para este momento. Para isso, primeiramente, esta pessoa deverá rever seus sentimentos diante da deficiência. Esta auto-análise requer paciência, força de vontade e muita honestidade. Depois que fizer dentro de si um conceito positivo da deficiência, deixando de lado preconceitos, estará apto a ajudar estes pais neste momento tão importante.
Os estereótipos mais comuns são que as pessoas com síndrome de Down são dóceis, sem vontade própria, eternas crianças, com tendências anti-sociais ou extremamente sociáveis, incapazes, doentes e objeto de piedade. Estes sentimentos não ajudarão no momento da notícia nem no relacionamento de confiança que deve se estabelecer entre os pais e os profissionais.
Como mãe de um rapaz com síndrome de Down e como enfermeira eu poderia citar pontos importantes de como ajudar os pais neste momento:
- Informe os pais tão cedo quanto possível após o nascimento da criança, respeitando a debilidade ou possíveis problemas que possam afetar a mãe. Informando pai e mãe juntos, o casal poderá dar apoio um ao outro, e o que um não entender o outro entenderá.
- Sempre que possível, a criança deverá estar presente. Brincando com ela, segurando-a em seus braços e mostrando afeto estará criando um relacionamento positivo, mostrando aceitação e dando um bom exemplo aos pais.
- Não espere até o momento da alta para falar com os pais, nem obrigue o pai a dar a notícia à mãe, ou vice-versa.
- Dê informações precisas e compreensíveis, usando palavras simples, esquecendo termos médicos. Se possível, leve algum material escrito, para que os pais possam reler as informações num momento de maior calma. Esteja disponível para que eles possam fazer perguntas.
- Transmita otimismo, sem sair da realidade. Não seja otimista demais, nem pessimista ao extremo.
- Enfatize as características comuns da criança, e não as diferenças.
- Respeite os sentimentos individuais do casal. Deixe que eles expressem a sua dor, suas dúvidas. Mostre que os primeiros sentimentos de desespero e rejeição à criança são normais, mas que o amor deve prevalecer.
- Em alojamento conjunto, jamais isolar mãe e filho, ou separá-los.
- Orientar os pais, avós, tios ou qualquer outra pessoa que esteja envolvida nos cuidados básicos da criança; auxiliando na hora da mamada, enfatizando a importância do aleitamento materno, diminuindo o tempo da criança no seio e aumentando o número de mamadas. Mostre a importância do carinho e aconchego na hora da alimentação. O colo da mãe é o melhor estímulo para um recém-nascido com ou sem síndrome de Down.
= Orientar e estimular os pais a procurar ajuda profissional, para começar o mais cedo possível, a estimulação essencial, fazendo encaminhamentos.
Para finalizar, gostaria de colocar uma pequena lista do que os pais esperam e do que os pais não precisam de um profissional no momento da notícia:
O que precisamos:
Respeito; Orientação; Esperança; Informações precisas; Otimismo; Compreensão; Apoio
O que não precisamos:
Pena; Desengano; Desesperança; Pessimismo; Isolamento; Palavras vazias; Perguntas sem respostas
domingo, 8 de maio de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Fono
De onde vêm as palavras do seu filho?
De VOCÊ. As primeiras palavras do seu filho deverão vir de você porque você vive
com seu filho.
O que ele ouve de você e dos outros serão suas primeiras palavras.
Um problema que eu vejo é que muitas crianças ouvem tanta linguagem de adulto que é muito difícil para elas aprenderem passo a passo como precisam.
E assim vemos crianças que têm palavras para cores, números e outros coisas que aprenderam. O problema é que estas não são as primeiras experiências, ou a primeira comunicação necessária.
Uma forma eficaz de ajudar seu filho a falar é fazer o seguinte:
1. Usar palavras que ele pode tentar reproduzir - são possíveis.
2. Descreva brevemente, suas experiências imediatas - o que está acontecendo no
momento. Esqueça "o que você fez na escola?" por agora. Fale sobre o que ele vê, faz e sente no momento.
3. Use palavras que representam o que ele está comunicando sem palavras - traduza suas ações e sons em uma palavra útil.
4. Quando ele diz uma palavra, dê-lhe apenas uma ou duas outras que gostaria de acrescentar para dar significado e comunicar um pouco mais.
5. Brinque com as palavras - faça das palavras um dos seus jogos favoritos e brincadeiras mais freqüentes com o seu filho - brincar e repetir palavras diferentes é um exercício excelente.
6. Tente reduzir o número de perguntas, elas não mostram o que as crianças devem dizer.
Pergunte a si mesmo o que você quer que seu filho diga, então diga você mesmo, e ele
aprende o que dizer. As perguntas são apenas testes que aumentam as chances de fracasso e levam a frustração.
James D. MacDonald, Ph.D. , CCC
Parceiros da Comunicação
site: www.jamesdmacdonald.org
Tradução - Patricia Almeida
De VOCÊ. As primeiras palavras do seu filho deverão vir de você porque você vive
com seu filho.
O que ele ouve de você e dos outros serão suas primeiras palavras.
Um problema que eu vejo é que muitas crianças ouvem tanta linguagem de adulto que é muito difícil para elas aprenderem passo a passo como precisam.
E assim vemos crianças que têm palavras para cores, números e outros coisas que aprenderam. O problema é que estas não são as primeiras experiências, ou a primeira comunicação necessária.
Uma forma eficaz de ajudar seu filho a falar é fazer o seguinte:
1. Usar palavras que ele pode tentar reproduzir - são possíveis.
2. Descreva brevemente, suas experiências imediatas - o que está acontecendo no
momento. Esqueça "o que você fez na escola?" por agora. Fale sobre o que ele vê, faz e sente no momento.
3. Use palavras que representam o que ele está comunicando sem palavras - traduza suas ações e sons em uma palavra útil.
4. Quando ele diz uma palavra, dê-lhe apenas uma ou duas outras que gostaria de acrescentar para dar significado e comunicar um pouco mais.
5. Brinque com as palavras - faça das palavras um dos seus jogos favoritos e brincadeiras mais freqüentes com o seu filho - brincar e repetir palavras diferentes é um exercício excelente.
6. Tente reduzir o número de perguntas, elas não mostram o que as crianças devem dizer.
Pergunte a si mesmo o que você quer que seu filho diga, então diga você mesmo, e ele
aprende o que dizer. As perguntas são apenas testes que aumentam as chances de fracasso e levam a frustração.
James D. MacDonald, Ph.D. , CCC
Parceiros da Comunicação
site: www.jamesdmacdonald.org
Tradução - Patricia Almeida
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Carta aos pais de Rubem Alves
Meus queridos amigos,
Somente para compartilhar com vocês,e certamente recordar a muitos que já conhecem esse texto.
Leiam para todos aqueles que ainda questionam sobre a INCLUSÃO.
Carta aos pais
Também
sou pai e portanto compreendo. Vocês querem o melhor para o filho, para a
filha. A melhor escola, os melhores professores, os melhores colegas. Vocês
querem que filhos e filhas fiquem bem preparados para a vida. A vida é dura e
só sobrevivem os mais aptos. É preciso ter uma boa educação.
Compreendo,
portanto, que vocês tenham torcido o nariz ao saber que a escola ia adotar uma
política estranha: colocar crianças deficientes nas mesmas classes das crianças
normais. Os seus narizes torcidos disseram o seguinte: Não gostamos. Não
deveria ser assim! O problema começa com o fato de as crianças deficientes
serem fisicamente diferentes das outras, chegando mesmo, por vezes, a ter uma
aparência esquisita. E isso cria, de saída, um mal-estar... digamos...
estético. Vê-las não é uma experiência agradável. É preciso se acostumar...
Para complicar há o fato de as crianças deficientes serem mais lerdas: elas
aprendem devagar. As professoras vão ser forçadas a diminuir o ritmo do
programa para que elas não fiquem para trás. E isso, evidentemente, trará
prejuízos para nossos filhos e filhas, normais, bonitos, inteligentes. É
preciso ser realista; a escola é uma maratona para se passar no vestibular. É
para isso que elas existem. Quem fica para trás não entra... O certo mesmo
seria ter escolas especializadas, separadas, onde os deficientes aprenderiam o
que podem aprender, sem atrapalhar os outros.
Se
é assim que vocês pensam eu lhes digo: Tratem de mudar sua maneira de pensar
rapidamente porque, caso contrário, vocês irão colher frutos muito amargos no
futuro. Porque, quer vocês queiram quer não, o tempo se encarregará de fazê-los
deficientes.
É
possível que na sua casa, num lugar de destaque, em meio às peças de decoração,
esteja um exemplar das Escrituras Sagradas. Via de regra a Bíblia está lá por
superstição. As pessoas acreditam que Deus vai proteger. Se assim fosse, melhor
que seguro de vida seria levar uma Bíblia sempre no bolso. Não sei se vocês a
lêem. Deveriam. E sugiro um poema sombrio, triste e verdadeiro do livro de
Eclesiastes. O autor, já velho, aconselha os moços a pensar na velhice.
Lembra-te do Criador na tua mocidade, antes que cheguem os dias das dores e se
aproximem os anos dos quais dirás: "Não tenho mais alegrias..." Antes
que se escureça a luz do sol, da lua e das estrelas e voltem as nuvens depois
da chuva... Antes que os guardas da casa comecem a tremer e os homens fortes a
ficar curvados... Antes que as mós sejam poucas e pararem de moer... Antes que
a escuridão envolva os que olham pelas janelas... Antes que as pessoas se
levantem com o canto dos pássaros... Antes que cessem todas as canções... Então
se terá medo das alturas e se terá medo de andar nos caminhos planos... Quando
a amendoeira florescer com suas flores brancas, quando um simples gafanhoto
ficar pesado e as alcaparras não tiverem mais gosto... Antes que se rompa o fio
de prata e se despedace a taça de ouro e se quebre o cântaro junto à fonte e se
parta a roldana do poço e o pó volte à terra... Brumas, brumas, tudo são
brumas... (Eclesiastes 12: 1-8)
Os
semitas eram poetas. Escreviam por meio de metáforas. Metáfora é uma palavra
que sugere uma outra. Tudo o que está escrito nesse poema se refere a você, a
mim, a todos. Antes que se escureça a luz do sol... Sim, chegará o momento em
que os seus olhos não verão como viam na mocidade. Os seus braços ficarão
fracos e tremerão no seu corpo curvo. As mós - seus dentes - não mais moerão
por serem poucos. E a cama pela manhã, tão gostosa no tempo da mocidade, ficará
incômoda. Você se levantará tão cedo quanto os pássaros e terá medo de andar
por não ver direito o caminho. É preciso ser prudente porque os velhos caem com
facilidade por causa de suas pernas bambas e podem quebrar a cabeça do fêmur.
Pode até ser que você venha a precisar de uma bengala. Por acaso os moinhos
pararão de moer? Não, os moinhos não param de moer. Mas você parará de ouvir.
Você está surdo. Seu mundo ficará cada vez mais silencioso. E conversar ficará
penoso. Você verá que todos estão rindo. Alguém disse uma coisa engraçada. Mas
você não ouviu. Você rirá, não por ter achado graça, mas para que os outros não
percebam que você está surdo. Você imaginou uma velhice gostosa. E até comprou
um sítio com piscina e árvores. Ah! Que coisa boa, os netos todos reunidos no
"Sítio do Vovô", nos fins de semana! Esqueça. Os interesses dos netos
são outros. Eles não gostam de conviver com deficientes.
Eles
não aprenderam a conviver com deficientes. Poderiam ter aprendido na escola mas
não aprenderam porque houve pais que protestaram contra a presença dos
deficientes.
A
primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. Isso é
extremamente difícil. Fernando Pessoa diz: Sou o intervalo entre o meu desejo e
aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim. Frequentemente as escolas
esmagam os desejos das crianças com os desejos dos outros que lhes são
impostos. O programa da escola, aquela série de saberes que as professoras
tentam ensinar, representa os desejos de um outro, que não a criança. Talvez um
burocrata que pouco entende dos desejos das crianças. É preciso que as escolas
ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!
A
segunda tarefa da educação é ensinar a conviver. A vida é convivência com uma
fantástica variedade de seres, seres humanos, velhos, adultos, crianças, das
mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas,
animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade.
E parte dessa diversidade são as pessoas portadores de alguma deficiência ou
diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm o direito de estar aqui.
Elas têm direito à felicidade. Sugiro que vocês leiam um livrinho que escrevi
para crianças, faz muito tempo: Como nasceu a alegria. É sobre uma flor num
jardim de flores maravilhosas que, ao desabrochar, teve uma de suas pétalas
cortada por um espinho. Se o seu filho ou sua filha não aprender a conviver com
a diferença, com os portadores de deficiência, e a ser seus companheiros e
amigos, garanto-lhes: eles serão pessoas empobrecidas e vazias de sentimentos
nobres. Assim, de que vale passar no vestibular?
Li,
numa cartilha de curso primário, a seguinte estória: Viviam juntos o pai, a
mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às
refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair
peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida
com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim,
discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar
pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O
marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar
contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação.
Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de
bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na
gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai
explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um
interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um
buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai,
entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O
que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira,
respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...
Pois
é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa
com crianças e adolescentes portadores de deficiências eles não saberão
conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao
seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão
maravilhosas peças de madeira...
arta aos pais de Rubem Alves
Somente para compartilhar com vocês,e certamente recordar a muitos que já conhecem esse texto.
Leiam para todos aqueles que ainda questionam sobre a INCLUSÃO.
Carta aos pais
Também
sou pai e portanto compreendo. Vocês querem o melhor para o filho, para a
filha. A melhor escola, os melhores professores, os melhores colegas. Vocês
querem que filhos e filhas fiquem bem preparados para a vida. A vida é dura e
só sobrevivem os mais aptos. É preciso ter uma boa educação.
Compreendo,
portanto, que vocês tenham torcido o nariz ao saber que a escola ia adotar uma
política estranha: colocar crianças deficientes nas mesmas classes das crianças
normais. Os seus narizes torcidos disseram o seguinte: Não gostamos. Não
deveria ser assim! O problema começa com o fato de as crianças deficientes
serem fisicamente diferentes das outras, chegando mesmo, por vezes, a ter uma
aparência esquisita. E isso cria, de saída, um mal-estar... digamos...
estético. Vê-las não é uma experiência agradável. É preciso se acostumar...
Para complicar há o fato de as crianças deficientes serem mais lerdas: elas
aprendem devagar. As professoras vão ser forçadas a diminuir o ritmo do
programa para que elas não fiquem para trás. E isso, evidentemente, trará
prejuízos para nossos filhos e filhas, normais, bonitos, inteligentes. É
preciso ser realista; a escola é uma maratona para se passar no vestibular. É
para isso que elas existem. Quem fica para trás não entra... O certo mesmo
seria ter escolas especializadas, separadas, onde os deficientes aprenderiam o
que podem aprender, sem atrapalhar os outros.
Se
é assim que vocês pensam eu lhes digo: Tratem de mudar sua maneira de pensar
rapidamente porque, caso contrário, vocês irão colher frutos muito amargos no
futuro. Porque, quer vocês queiram quer não, o tempo se encarregará de fazê-los
deficientes.
É
possível que na sua casa, num lugar de destaque, em meio às peças de decoração,
esteja um exemplar das Escrituras Sagradas. Via de regra a Bíblia está lá por
superstição. As pessoas acreditam que Deus vai proteger. Se assim fosse, melhor
que seguro de vida seria levar uma Bíblia sempre no bolso. Não sei se vocês a
lêem. Deveriam. E sugiro um poema sombrio, triste e verdadeiro do livro de
Eclesiastes. O autor, já velho, aconselha os moços a pensar na velhice.
Lembra-te do Criador na tua mocidade, antes que cheguem os dias das dores e se
aproximem os anos dos quais dirás: "Não tenho mais alegrias..." Antes
que se escureça a luz do sol, da lua e das estrelas e voltem as nuvens depois
da chuva... Antes que os guardas da casa comecem a tremer e os homens fortes a
ficar curvados... Antes que as mós sejam poucas e pararem de moer... Antes que
a escuridão envolva os que olham pelas janelas... Antes que as pessoas se
levantem com o canto dos pássaros... Antes que cessem todas as canções... Então
se terá medo das alturas e se terá medo de andar nos caminhos planos... Quando
a amendoeira florescer com suas flores brancas, quando um simples gafanhoto
ficar pesado e as alcaparras não tiverem mais gosto... Antes que se rompa o fio
de prata e se despedace a taça de ouro e se quebre o cântaro junto à fonte e se
parta a roldana do poço e o pó volte à terra... Brumas, brumas, tudo são
brumas... (Eclesiastes 12: 1-8)
Os
semitas eram poetas. Escreviam por meio de metáforas. Metáfora é uma palavra
que sugere uma outra. Tudo o que está escrito nesse poema se refere a você, a
mim, a todos. Antes que se escureça a luz do sol... Sim, chegará o momento em
que os seus olhos não verão como viam na mocidade. Os seus braços ficarão
fracos e tremerão no seu corpo curvo. As mós - seus dentes - não mais moerão
por serem poucos. E a cama pela manhã, tão gostosa no tempo da mocidade, ficará
incômoda. Você se levantará tão cedo quanto os pássaros e terá medo de andar
por não ver direito o caminho. É preciso ser prudente porque os velhos caem com
facilidade por causa de suas pernas bambas e podem quebrar a cabeça do fêmur.
Pode até ser que você venha a precisar de uma bengala. Por acaso os moinhos
pararão de moer? Não, os moinhos não param de moer. Mas você parará de ouvir.
Você está surdo. Seu mundo ficará cada vez mais silencioso. E conversar ficará
penoso. Você verá que todos estão rindo. Alguém disse uma coisa engraçada. Mas
você não ouviu. Você rirá, não por ter achado graça, mas para que os outros não
percebam que você está surdo. Você imaginou uma velhice gostosa. E até comprou
um sítio com piscina e árvores. Ah! Que coisa boa, os netos todos reunidos no
"Sítio do Vovô", nos fins de semana! Esqueça. Os interesses dos netos
são outros. Eles não gostam de conviver com deficientes.
Eles
não aprenderam a conviver com deficientes. Poderiam ter aprendido na escola mas
não aprenderam porque houve pais que protestaram contra a presença dos
deficientes.
A
primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. Isso é
extremamente difícil. Fernando Pessoa diz: Sou o intervalo entre o meu desejo e
aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim. Frequentemente as escolas
esmagam os desejos das crianças com os desejos dos outros que lhes são
impostos. O programa da escola, aquela série de saberes que as professoras
tentam ensinar, representa os desejos de um outro, que não a criança. Talvez um
burocrata que pouco entende dos desejos das crianças. É preciso que as escolas
ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!
A
segunda tarefa da educação é ensinar a conviver. A vida é convivência com uma
fantástica variedade de seres, seres humanos, velhos, adultos, crianças, das
mais variadas raças, das mais variadas culturas, das mais variadas línguas,
animais, plantas, estrelas... Conviver é viver bem em meio a essa diversidade.
E parte dessa diversidade são as pessoas portadores de alguma deficiência ou
diferença. Elas fazem parte do nosso mundo. Elas têm o direito de estar aqui.
Elas têm direito à felicidade. Sugiro que vocês leiam um livrinho que escrevi
para crianças, faz muito tempo: Como nasceu a alegria. É sobre uma flor num
jardim de flores maravilhosas que, ao desabrochar, teve uma de suas pétalas
cortada por um espinho. Se o seu filho ou sua filha não aprender a conviver com
a diferença, com os portadores de deficiência, e a ser seus companheiros e
amigos, garanto-lhes: eles serão pessoas empobrecidas e vazias de sentimentos
nobres. Assim, de que vale passar no vestibular?
Li,
numa cartilha de curso primário, a seguinte estória: Viviam juntos o pai, a
mãe, um filho de 5 anos, e o avô, velhinho, vista curta, mãos trêmulas. Às
refeições, por causa de suas mãos fracas e trêmulas, ele começou a deixar cair
peças de porcelana em que a comida era servida. A mãe ficou muito aborrecida
com isso, porque ela gostava muito do seu jogo de porcelana. Assim,
discretamente, disse ao marido: Seu pai não está mais em condições de usar
pratos de porcelana. Veja quantos ele já quebrou! Isso precisa parar... O
marido, triste com a condição do seu pai mas, ao mesmo tempo, sem desejar
contrariar a mulher, resolveu tomar uma providência que resolveria a situação.
Foi a uma feira de artesanato e comprou uma gamela de madeira e talheres de
bambu para substituir a porcelana. Na primeira refeição em que o avô comeu na
gamela de madeira com garfo e colher da bambu o netinho estranhou. O pai
explicou e o menino se calou. A partir desse dia ele começou a manifestar um
interesse por artesanato que não tinha antes. Passava o dia tentando fazer um
buraco no meio de uma peça de madeira com um martelo e um formão. O pai,
entusiasmado com a revelação da vocação artística do filho, lhe perguntou: O
que é que você está fazendo, filhinho? O menino, sem tirar os olhos da madeira,
respondeu: Estou fazendo uma gamela para quando você ficar velho...
Pois
é isso que pode acontecer: se os seus filhos não aprenderem a conviver numa boa
com crianças e adolescentes portadores de deficiências eles não saberão
conviver com vocês quando vocês ficarem deficientes. Para poupar trabalho ao
seu filho ou filha sugiro que visitem uma feira de artesanato. Lá encontrarão
maravilhosas peças de madeira...
arta aos pais de Rubem Alves
quarta-feira, 30 de março de 2011
Esposa surda!!!
Esposa surda
Um velho telefona ao médico para marcar uma consulta para a sua mulher.
A secretária pergunta:
- Qual o problema de sua esposa?
- Surdez. Não ouve quase nada.
- Então o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la, faz um teste para facilitar o diagnóstico do médico.
Sem ela olhar, o senhor, a certa distância, fala em tom normal, até perceber a que distância ela consegue ouvi-lo.
E quando vier, diz ao médico a que distância o Sr. estava quando ela o ouviu.
- Certo?
- Está certo.
À noite, quando a mulher preparava o jantar, o velhote decidiu fazer o teste.
Mediu a distância que estava em relação à mulher.
E pensou:
"Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora"
- Maria, o que temos para jantar?
Silêncio.
Aproxima-se a 10 metros:
- Maria, o que temos para jantar?
Silêncio.
Fica a uma distância de 5 metros:
- Maria, o que temos para jantar?
Silêncio.
Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:
- Maria! O que temos para jantar?
- Frangooooooo seu surdooooo... É a quarta vez que eu respondo!
NORMALMENTE, NA VIDA, PENSAMOS QUE AS DEFICIÊNCIAS SÃO DOS OUTROS E NÃO NOSSAS.
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
Meus filhos são especiais. Eos seus???
As crianças que chegam com deficiência confundem o pensamento dos pais, que se
> chocam e perguntam a Deus por que aconteceu com eles. Mas, na verdade, elas são
> a glória de Deus. A glória de Deus é colocada naquela criança, para que contagie
> a todos. Esta criança dá a sua família a glória de Deus. Então, cada um que
> contribuiu, recebeu esta glória também”.
>Meus filhos são especiais, e os seus????
> chocam e perguntam a Deus por que aconteceu com eles. Mas, na verdade, elas são
> a glória de Deus. A glória de Deus é colocada naquela criança, para que contagie
> a todos. Esta criança dá a sua família a glória de Deus. Então, cada um que
> contribuiu, recebeu esta glória também”.
>Meus filhos são especiais, e os seus????
quinta-feira, 10 de março de 2011
Pessoal,
Sei que é difícil e muitas vezes confuso seguirmos os termos propostos, mas é de extrema importância sabermos e colocá-los em prática, pois é através da nossa atitude e informação que poderemos mudar a situação.
O termo "especial" se torna complicado visto que todos nós somos especiais...Como disse o Fábio Adiron, "Meu filho especial e o outro filho? Ordinário?". Não dá muito certo, não é?
Portadores no dicionário significa: "adj. e s.m. Pessoa que carrega ou que conduz alguma coisa; carregador.
Pessoa que porta germes e que os transmite.
Ao portador, que não tem designação de pessoa certa: cheque ao portador."
Ou seja, nossos queridos não portam nenhuma alteração genética e depois deixam em cima da mesa...A SD faz parte deles.
Muito cuidado com o termo "normal", melhor é usar o termo "comum", típico, qualquer outra criança, sem síndrome de Down, sem deficiência etc.
Nunca aceitar o termo "anormal".
Esqueçam terminologias antigas como a criança tem problema mental, ou Mongolóides(esse termo não deve ser usado nuncaaaaaa, é pejorativo) .
SD não é doença, não é problema mental, não é excepcional, não é especial...
Outra coisa importante...Ele não é um Down...Ele é uma pessoa que tem SD, ou melhor ainda, ele é o João, o Luca, a Carol...
Isto eu ouvi de um jovem com SD que falou que se sentia um ET quando diziam isso. Quase enfartei, pois eu falava assim...Depois disso, nunca mais...
O negócio é não focar na deficiência, mas sim nas potencialidades e nos direitos iguais ao de todas as crianças por que afinal de contas são crianças como quaisquer outras.
Algumas pessoas não gostam do termo deficiência, mas hoje, a SD é considerada uma deficiência intelectual e não mental.
Sei que o mundo está acostumado a falar "especial", que muitos de nós falamos "um down" ou "downadinho", e entendo que é tudo com muito carinho, mas se não lutarmos pelas mudanças das terminologias, nossos filhos terão vários "nomes" de "tribos", menos os deles próprios...Pior, estariam sendo chamados de mongolóides até hoje.
A Inclusão começa com a gente.
beijocasssss
Andrea Barbi
Sei que é difícil e muitas vezes confuso seguirmos os termos propostos, mas é de extrema importância sabermos e colocá-los em prática, pois é através da nossa atitude e informação que poderemos mudar a situação.
O termo "especial" se torna complicado visto que todos nós somos especiais...Como disse o Fábio Adiron, "Meu filho especial e o outro filho? Ordinário?". Não dá muito certo, não é?
Portadores no dicionário significa: "adj. e s.m. Pessoa que carrega ou que conduz alguma coisa; carregador.
Pessoa que porta germes e que os transmite.
Ao portador, que não tem designação de pessoa certa: cheque ao portador."
Ou seja, nossos queridos não portam nenhuma alteração genética e depois deixam em cima da mesa...A SD faz parte deles.
Muito cuidado com o termo "normal", melhor é usar o termo "comum", típico, qualquer outra criança, sem síndrome de Down, sem deficiência etc.
Nunca aceitar o termo "anormal".
Esqueçam terminologias antigas como a criança tem problema mental, ou Mongolóides(esse termo não deve ser usado nuncaaaaaa, é pejorativo) .
SD não é doença, não é problema mental, não é excepcional, não é especial...
Outra coisa importante...Ele não é um Down...Ele é uma pessoa que tem SD, ou melhor ainda, ele é o João, o Luca, a Carol...
Isto eu ouvi de um jovem com SD que falou que se sentia um ET quando diziam isso. Quase enfartei, pois eu falava assim...Depois disso, nunca mais...
O negócio é não focar na deficiência, mas sim nas potencialidades e nos direitos iguais ao de todas as crianças por que afinal de contas são crianças como quaisquer outras.
Algumas pessoas não gostam do termo deficiência, mas hoje, a SD é considerada uma deficiência intelectual e não mental.
Sei que o mundo está acostumado a falar "especial", que muitos de nós falamos "um down" ou "downadinho", e entendo que é tudo com muito carinho, mas se não lutarmos pelas mudanças das terminologias, nossos filhos terão vários "nomes" de "tribos", menos os deles próprios...Pior, estariam sendo chamados de mongolóides até hoje.
A Inclusão começa com a gente.
beijocasssss
Andrea Barbi
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